Barata Cichetto: Poeta, Escritor, Webdesigner, Editor
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sábado, outubro 21, 2017

Cem Anos de Podridão

Ontem foi Dia do Poeta, cumprimentem atrasado o vate
Porque aquele que chega por ultimo é mulher do padre.
E sabendo que braço que apanha é o mesmo que bate
Deixem-me dormir mais cedo porque ainda é de tarde.

Não comemorem do Dia do Poeta. Há tempos não existem mais poetas. Apenas uns escrevedores de versos tolos. Como se fossem receitas de bolos. Sem fermento. Sem gosto. Não gosto de bolos poéticos. Sem recheio. Sem receio. De magoar. Falsos poetas de teclados de computador. Não há mais salas de chá. Nem de café. Apenas poetas de boteco. Que adoram Charles por ser bêbado. Não por ser poeta. Desculpas de idiotas. Não de poetas. Paris foi dominada. Pela desordem. Pela desarte. Em Marte não há poesia. Nem na Terra. De ninguém. Não diga amém ao poeta. Não diga a ninguém. Ninguém é poeta. Num tempo sem poesia. Computadores não podem criar poesia. Mesmo que possam escrever poemas. Poetas modernos são computadores. Binários. Zeros e uns apenas. Enfileirados. Uns atrás dos zeros. E os zeros atrás dos uns. E entre uns e zeros. Sobra o nada. Absoluto. Da poesia hodierna. Tão moderna. Que nem existe. A revolução russa acabou com a poesia. Não há o que ser feito. Não existe poesia no coletivo. Ato efetivo. Lenitivo. Coercitivo. Poesia coercitiva. Incentiva o todo. Não há poesia no todo. Só no uno. Não existe o todo. Nem o tudo. Porque tudo. É apenas o um. Multiplicado. O rei está morto. Em Portugal. Com um saco de terra brasilis no bolso. Caminhando por Lisboa. Com saudades do Império. Não há poesia no socialismo. Não há poesia social. Isso é pessoal. De Pessoa pra pessoa. Ressoa. Como vento. Soprando nas areias do tempo. Do tempo em que tempo tinha. E não era apenas o segundo. Era o primeiro. Viva o rei. Viva o império. Abaixo o imperialismo. Abaixo da linha. Do Equador. Abaixo o império da dor. Do ditador. Que não tem cor. Abaixo o ismo. O histerismo. Desses tempos sem supor. Em que o andor é de barro. Não o santo. E para espanto. Do comunista. Do consumista. De celular chinês. Andando de camiseta do Che. A poesia morreu. Há cem anos. Cem anos de solidão. Cem Anos de Podridão. De imensidão. Do nada. Em que tudo. É falso. Plástico. Drástico. A poesia morreu com a modernidade. Com o modernismo. Com o hedonismo hipócrita. Mentiroso. Desastroso. Trocaram de mão o carrasco. A mão direita é a que alisa. A esquerda corta a cabeça. Ou oposto. Ou o posto. Não há gosto. Nem em Agosto. Nem em Janeiro. E como não existe mais poesia. Deixem de comemorar. O Dia do Poeta. Quero minha parte em dinheiro. Faço minha parte do trabalho. Agora quero o capital. Pecado capital?

21/10/2017

quinta-feira, outubro 19, 2017

Patty Duke Show e a Política

Em meados da década de sessenta, passava um seriado na televisão, ainda em preto e branco, chamado "Patty Duke Show". Era uma "sitcom" bem idiota, e eu detestava. Mas um belo dia, por algum motivo - provavelmente pelo fato de que as opções eram apenas sete canais - acabei assistindo. E por algum motivo aquele episódio nunca saiu da minha cabeça. E sempre em época de eleição lembro-me dele.

Nesse tal episódio, a Patty Duke, que tinha como melhor amiga uma prima, disputavam uma eleição escolar. As duas se empenhavam demais para ganhar a eleição, fazendo discursos cada vez mais ferozes com a intenção de vencer. Eram discursos enormes. Mas havia uma terceira candidata na sala, uma garota tímida, quase um estereótipo de nerd, que sempre em seu momento de discursar apenas se levantava e com uma voz quase inaudível dizia apenas: "Vote em mim!", E tornava a se sentar.

No calor da eleição, as duas primas, que além de tudo eram as melhores amigas, acabaram rompendo a amizade, a ponto de, mesmo morando na mesma casa e comendo na mesma mesa, não se olharem ou trocarem uma palavra. As duas tinham certeza da vitória e nem davam conta da existência da terceira. Nos intervalos de aulas, os amigos de uma ou outra também se engalfinhavam. Entretanto, quando chega o dia da eleição, o resultado que surpreende as duas é que a tal nerd venceu as eleições, com boa margem de votos.

Sabem que lição tiramos disso? Que democracia é sempre surpreendente. No bom e no mau sentido.

18/10/2017

segunda-feira, outubro 02, 2017

War Pigs

War Pigs
 Barata Cichetto

Quero penetrar nas linhas inimigas. Abrindo fogo com minha metralhadora giratória. Abrir fogo. Por entre as linhas quase paralelas das tuas coxas. Abrir teus flancos. Esmagar tuas trincheiras.  Dinamitar teus orgasmos. Enfiar tua cara na poeira. Te fazer comer grama. Invadir tua propriedade. Desapropriar tua impropriedade. Coletivizar tua privacidade. Te privar de verdade. Da tua individualidade. Te cortar com foice. Te esmagar com martelo. Rasgar tua bandeira. Te foder inteira. Morder teus dentes. Lamber tua língua. Cortar teu raciocínio. Contar teus mortos. Descontar teus impostos. Teus postos. Explodir teus limites. Destruir teus sagrados. Matar teus inocentes. Quebrar teus dentes. Invadir tuas praias. Afundar teus barcos. Derrubar seus voos. Implodir tuas pontes. Dominar teus montes. Plantar minas. Jogar granadas no teu celeiro. Queimar teus campos. Tua morada. Enterrar teus mortos. Em cova rasa. Deixar aos urubus. Tua carcaça. Afogar teus fetos. Perseguir teus netos. Te empalar pelo reto. Incendiar tua cabana. Queimar tua cana. Tua cama. E teu pijama. Deixar em chamas. Teu esplendor. Causar dor. Matar teu ditador. Teu imperador. Estuprar tua rainha. Tua princesa. Tua beleza. Cortar a faca tua tua garganta. Tua tristeza. Acabar com tua esperança. Proibir tua dança. Secar tua chuva. Costurar tua vulva. Te deixar viúva. De mim. Por mim.  Te matar de fome. De sede. De vontade de morrer. Te deixar viver. Te aprisionar. Na minha gruta. Apodrecer. Tua fruta. Te odiar. Te chamar. De algo. Por algo. Por alguém. Declarar guerra. A única maneira. De eu poder. Ter. Poder.

02/10/2017

domingo, outubro 01, 2017

Falo!

Falo!

Eu. Que sou o que falo. E falo o que sou. Se sou falo. Falo o que sou. Calo meus calos. Dolorosos calos. Calo minhas cicatrizes. Calo tudo o que puder ser calado. E falo. Falo o que precisa ser falado. Calos. Calo. Calor. Calorosos. Dolorosos. Calos. Falo sobre meu falo. Falo. E falo sobre o que calo. Cicatrizes abertas. Meretrizes têm méritos. Féretros. Diretrizes. A diretriz da meretriz. Da atriz pornô. Do centro da cidade. Se cala. E fala. Com a vagina. Imagina! Uma meretriz. Que fala com o cu. Peida a meretriz. Na tua cara de santa. E se faz por merecer. Merece a meretriz. Aprendiz. De Feiticeira. A vassoura varre a cidade. Nas mãos do gari. Gary Cooper em A Nascente. O gari nunca viu Gary falar seu discurso no tribunal. O tribunal do gari é o balcão da padaria. Do boteco. A cachaça é o Juiz. E o meritíssimo convoca a meretriz para depor. Depois. Não existe o depois. Só o agora. E agora eu calo. Que não falo. Com qualquer um. Nenhum. Nem um. Sequer. Se quer. Pegue. Pegue e ponha na boca. Meu pau sujo. Chupa, cadela. O pau do Juiz. Do gari. E do Gary. Cooper. Na cooperativa. Coopere. Porra. Coopere. Opere. Tempere. Não há mais possibilidades nas ruas. Elas estão tomadas por traficantes. E por políticos. Traficaram as almas das meretrizes. As diretrizes são as balas. As falas são coisas do passado. Palavras são coisas do passado. Só há imagem. Fotografias. Vídeos. Filmes em três dimensões. A quarta fica pra depois. Então fala! Fala, cadela! Falo contigo. Não responde. Não seja a vitima de si própria. Desaproprie. A maldade. Não seja uma puta. Não aborte. Não corte. O cordão. Com os dentes. Primavera nos dentes. Sementes podres. Nobres. E não cobre. Quando chupar. O preço do cobre. No mercado aberto. Commodities. Cobre. Ouro. Metal. Heavy Metal é a lei. Então que se cumpra. Em última instância. Por inconstância. Pegue o papel. A certidão de casamento. E enfie no rabo. Junto com a aliança. Sem esperança. E pegue sua criança. E saia com ela. Até o fim. Ai de mim. Ai de si. Ai de só. Somente. Semente. Se mente. Não é verdade. Não existe verdade. Só a sua. A minha não serve. Não te serve. Então ferve seu leite. E se deleite. Até espumar. Pelos cantos da boca. Te dou formigas. Amigas. Estrebuche. Largue o celular. Acabou!
28/09/2017

quarta-feira, setembro 27, 2017

Bolo de Tolo

Sou tolo. Até que me provem o contrário. Ou o contrário do contrário. Sou um tolo. Por acreditar na inocência das mulheres. Por acreditar no sentido de palavras que não tem. Por acreditar em palavras de mulheres. Ou simplesmente em palavras. Ou ainda simplesmente em mulheres. Sou um tolo. Idiota que pensa. Que pensa que não é idiota. Uma cenoura pendurada em frente a meu focinho e ando o dia inteiro, sem nunca perceber que jamais poderei alcançar. A tolice é parte de mim. Como a cor dos meus olhos e dos meus cabelos. E não confundam tolice com ingenuidade. Ingênuos nem sempre são tolos. E tolos nem sempre são ingênuos. Há sempre tolice na ingenuidade, no entanto. Sou um tolo, por direito, não por decreto. Um tonto que acredita nas cenouras que apodrecem e nunca serão alcançadas. E nunca percebe que elas apodrecem. E as palavras são como cenouras que apodreceram e eu não percebo. Fazer poesia é diferente que fazer um bolo de cenouras. Um bolo é algo util. Mas a poesia é o bolo do tolo. Que não come. Não sei fazer bolos. Sou tolo. Apenas trabalhar. E escrever. E escrever por trabalho. E trabalhar por paixão. A paixão pelo trabalho, pela escrita, pelo que podem produzir minha cabeça e minhas mãos fazem de mim um tolo eterno. Então fico aqui serrando e lixando palavras feito um marceneiro tolo. Pregando pregos em palavras, cimentando rimas, sedimentando sentidos e sentimentos tolos. Tolos. Tolos. Sou mesmo um tolo. Jamais deixarei de ser. Ninguém acredita o quanto sou. E às vezes me iludo que não sou. Mas sou. Adoçam-me a boca. Tiram o açúcar. Me deixam sem nada. Perdas e danos. Herança de tolos. Não há herança aos tolos. E cobram mais e mais e quanto mais dou, mais querem. E o tolo dá tudo. Menos a cenoura pendurada em seu focinho. O cabresto da tolice é foda. Não enxerga o tolo um centímetro adiante de seu nariz de cavalo. E "não se mata cavalo?" Cavalos de patas quebradas são inúteis. Não servem pra nada. São tolos. Acaba assim, como apenas um tolo terminaria um texto.

27/09/2017

segunda-feira, setembro 25, 2017

Vaca Profana

Lembra de mim? Eu não. Não lembro de mim. Lembro de ti. E de quanto era bom. Lembrar de existir. Lembro bem de ti. Do teu melado escorrendo pelas minhas pernas. Sentada no meu pau. E lembro de mim, sim. Te colocando de quatro na cama. E chupando teu cu. Segurando teus peitos enormes. Que desafiavam a Lei da Gravidade. Lembro que queria engravidar. De mim. Lembro daquilo que me pedia. E lembro que fedia. Quando gozava. E peidava. Lembro dos gemidos. Temidos. Grunhidos. Latidos. Uivos. Loba criança. Menina. Lembro do cheiro. Da tua buceta. Lembro que me pedia. Mais. Que me mordia. Demais. Que sabia. Menos. Mais ou menos. Jamais. Lembro que não era mais ou menos. Era mais. Demais. Jamais. Que era pequena. Que era grande. A tua bunda. Que era puta. Que era lésbica. Era tudo o que queria. E eu era sempre o teu querer. E eu queria. Te foder. Te bater. Te comer. Eu era um tolo. E queria teu bolo. Enfeitado de sangue. Coração triturado. Desamado padrão. Podre. Poeta. Nobre. Pobre. E era rico. Quando te via. Sentada no pinico. A mijar. Sangue. Tua calcinha enterrada na bunda. Uniforme de vagabunda. Tetas. Short de nylon. Chinelos de couro. Ouro nos olhos. Gozo instantâneo. De quatro. Chupava meu pau. E a eletricidade acabou na casa. E eu, brincando de eletricista. Lhe dei um choque. E mordeu meu rosto. Com gosto. Depois passou os dedos. Lambeu meu sangue. E soube de meus segredos. E eu e meus medos. Tinha todos. Os que podia. E com meus medos. Te fodia. E queria. Foder mais. Era amante. Concubina do diabo. Fugida da igreja. Nascida na desgraça. Congregada. Desejo do Cão. Manteiga com pão. Saudades do não. De te foder no chão. No carpete. Queimar meu joelho. Te foder no espelho. Quebrar o encanto. Ah, que pranto é esse agora? Por que chora? Morta? Enterrada? Cremada? Gorda? Jogada? Pelada? Pirada? Drogada? Que nada! Não existe mais nada. A não ser a maldita poesia. Que insiste. Resiste. Em riste. Feito meu pau. Que fode. Que pode. E que explode. Quando chega. Ao fim. E numa manhã de segunda sem feira. Bato punheta pensando em tua buceta. Amarga. Com gosto de giro. E de quebra. Toda a angustia torta. Te pensando morta. Em pé na porta. Da solidão. Lembro dos teus pedidos. Dos gemidos. Fremidos. Lembro de me mandar embora. A tal hora. E chorar pela volta. Na hora tal. E tal senhora. Besuntar de óleo de amêndoas. Doces. Comida baiana. Na feira de artesanato. Da Praia. Grande. Enorme. Demais. Ir a feira. Com sacola e chinelos havaianas azuis. Comprar brócolis. Alface. Repolho. Sob o olho esperto e desejoso. Do feirante. Que te queria feito fruta. Na sua banca. Que a queria feito puta. Na sua cama. E eu sabia. Que não era nem puta. Nem freira. Nem Maria. Nem Rita. Era vadia. Escrava. Senhoria. E sabia. Que tinha desejo. Por teu pai. E eu por teu espírito. Era um santo. No teu altar. Profano. Humano. Demais. E penso que o Inferno. Não é um lugar. Onde possas estar. E nos outros. Não pode passar. Olho as cicatrizes dos teus cigarros nas minhas pernas e costas. E pergunto se ainda gostas. De maltratar. Sade. Sadista. Maloqueira. A beira. Da linha. E não há mais trem de carga. Na tua ferrovia. Não ande na linha. Ouça Johnny Cash. Não sabe? Percebe. Recebe. Há um pote de ouro no fim do teu arco-íris. E na tua íris cor de mel. Lentes de contato que te dei. Já que não podia te dar olhos. Nem visão. Nem vistas ao mar. Nem televisão. Canivetes ao mar. Calcinha lambuzada de porra alheia. E ali alheia. A mim. E a minha vontade. De te matar. Cortar tua garganta. Servir na janta. Aos cachorros da rua. Depois uivar para a Lua. Cheia de malícia. De quem chama a Polícia. O pai. Ou o Pai. Ninguém poderia te salvar. Nem eu. Nem ninguém. E eu. Um eterno desajeitado. Rejeitado. Nem sabia o que era esporrar. Mesmo assim esporrei. Na tua cara. E a minha tara. Era te fuder. Na frente da outra. De outras. De outros. De todos. Com quem pudesse fuder. Fudida. Querida. Ferida sangrando. Numa segunda. Sem feira. Nem feirantes. Sem amantes. Sem brilho. Só o Sol. Idiota. Teimando aquecer. E eu. Idiota. Tentando esquecer.

25/09/2017

quinta-feira, setembro 21, 2017

Nem São Nem Salvo

Sobrevivi. Nem são nem salvo. Nem tão são. Nem tão salvo. Nem sujo nem alvo. Nem cabeludo nem calvo. Sobrevivi. Alvo! De balas. Doces. De festim. Alvo! De denúncias. De renúncias. De pronúncias. Dei três tiros na cara da morte. E sobrevivi. Por sorte.  E não há mais nada a ser feito. Aproveito. Em proveito próprio. Do conceito. De misericórdia. Misantropia. Entropia. Distopia. Há mais porcos que chiqueiros. Admirável. Mundo. Novo. Bravo mundo novo. Bravo! Escravo. Da dor. E da agonia. Bravo mundo. Alvo mundo. Salvo mundo. Cada uma no seu dia. E todas no mesmo minuto. Mas é fato. Que sobrevivi. Sem saber de fato. Se vivi.

20/09/2017

segunda-feira, setembro 18, 2017

O Menino Que Matou o Homem

O Menino Que Matou o Homem
Barata Cichetto
 
Quero ser lido. Ser tido. Como ídolo. Ter ido. Ter sido. Temido. (Tímido). Não ter medos. Ter segredos. Quero ser visto. Como perigo. Às famílias. Um perigo. Constante. Inconstante. Por um instante. Que seja. Por um mutante. Que enseja. Amante. De cerveja. Quero ser lido. Agora. Por uma senhora. De salto. E um senhor. Alto. Do alto do meu ser. E saber. Saber das coisas. Que não sei. Se são. Ser são. São Barata. Aos que não são.  Nem serão. Santos. Nem putos. Nem brutos. Dos lutos. De bruços. Na cama. De bunda pra cima. Em cima de si. Só sendo. Quero continuar sendo. O que sou. O que fui. E ser o que ainda serei. Nunca o homem que matou o menino. Mas o menino que matou o homem. Com um estilingue. Com forquilha de galho de árvore. E uma pedra. Que nem era de Drummond. Nem de nenhum Andrade. Quero ser o que fui. Mas que é apenas o que será. Quero ser lido. Feito qualquer escritor. De filme americano. Morar numa cabana. Feito qualquer personagem. Ser a imagem. E semelhança. De uma criança. Com espírito de ancião. Assim não. Ser mais que sou. Menos que fui. Igual ao que serei. Quero ser lido. Quero ser tido. Como inimigo. Publico numero um. Dois. Três. O tarado do quarteirão. O malvado de plantão. O alvo das críticas. Dos críticos. E dos políticos. Ser noticia de jornal. Estar da televisão. Às oito da noite. Antes da novela. Depois do pastor. E antes do padre. De colarinho. E do outro de gravata. Quero vender palavras. Sem querer troco. Vender caro. Ao caro amigo. Barato. Ao inimigo. Alugar verbos. Advérbios. Comprar sentenças inteiras. Apenas para trocar de adjetivo. Ou de objetivo. Vender a alma. Ou trocar por calma. Quero ser belo. Ter um pau de dez polegadas. Comer a Delegada. A Advogada. E a Empregada. Quero ser pai. E mãe. De tudo que eu criar. Criar até passarinho. E galinha em terreiro. Quero ser guerreiro. Inteiro. Guerrilheiro. Atirar pedras em placas de trânsito. Dar tiros em estudantes de segundo grau. Subir outro degrau. Na escala de evolução humana. E de dois em dois. Subir a escada para o Céu. Heaven and Hell. And réu. Do tribunal. De Justiça Celestial. Ser Juiz. Ser Luiz. Quero caminhar. Ao contrário. Beber na fonte. Derrubar a ponte. Comer meretriz. A imperatriz. A embaixatriz. Sou Luiz. Aprendiz. De feiticeiro. De justiceiro. Carniceiro. De arruaceiro. De cachaceiro. De carpinteiro. Pedreiro. Faceiro. Quero ser lido. Metido. Fluído. E tido. Como perigoso. Glorioso. Gostoso. Incestuoso. Maldoso. Melindroso. Quero se poeta. Profeta. Esteta. Pai da estética. E da esquelética. Morfética. Antiética. Poesia. Escrever em jornal. Comer coxinha. Mortadela. Pão com manteiga. E arrotar presunto. Na cara do punk. Do repórter. De terno. Ser eterno. Quero foder. Poder. Empoderar. O imponderável. Quero ser mito. Acredito. Quero ser Cristo. Duvido. Quero ser Belial. Belo e tal. O Mal. Encarnado. O Bem. Encantado. Ser. Ser. Ser. Quero crescer. Quero ser lido. Quero ter. Ter. Ter. Meter. Não apenas. Escrever. Sobre o ser. E ser apenas o escrito. Ser proscrito. Com a conta bancária lotada. Andar de carro. Na estrada cheia de pedágios. Pagar as contas com cartão ouro. De tolo. O vento no rosto. Motocicletas. Carros. Seres. Quero ser visto. Quisto. Um cisto. No ovário. No calvário. Sudário. Guardar no armário. A carteira de identidade. Armar a liberdade. Com balas de festim. Festejar o Dia da Padroeira. E do Padrão. Ser patrão. Patrono. Ter um trono. Com adorno. De serpentes. E cachos de uvas. Mandar as chuvas. Molhar as vulvas. De viúvas. Ser rei. Serei. Da tempestade. E do tempo. Em tempo. De ser. Elevado. A categoria de imortal. Da Academia. Busto de metal. Na Praça da Republica. Nome de rua. No centro da cidade. Avenida. Na periferia. Viaduto em estrada. Nome de estância hidromineral. Escritor fulano de tal. De tal e qual. Vate de filme. Com ciúme da vaidade. Vaiado em festival. Rei do Carnaval. Dono de canavial. Quero ser escritor. Criador. Deus. Qualquer um. Dos seus. Escrever dedicatória. Em página de rosto. Ter o gosto. Nascer em Agosto. Morrer em Julho. Ter orgulho. De ser. Sal. Pimenta.  Cagar no prato. Que comi. Cagar regra. De três. Para seis. Trocar seis. Por uma dúzia. E meia. Andar de meia no chão de terra. Declarar guerra. Com a Terra. Mandar leitor tomar no cu. E assinar contrato. Com editora de grife. Multinacional. Ser internacional. Universal. Ter meu reino. Ser um deus. Para ateus. E judeus. E quero ser lido. Polido. Tido. Como intelectual. Mostrar meu pau. No sarau. Sujeito legal. E coisa e tal. E por fim perguntar. O que há de mal. Em ser lido?

18/09/2017

quinta-feira, setembro 14, 2017

Sofismas de Sofia

Ontem transei com a Sofia. Fi-lo porque queria. E tanto queria que tive um orgasmo. De filosofia. E de poesia. Gozei muito. Gozamos. Porque quisemos. Porque fizemos. Poesia. E Filosofia. Eu e Sofia. Sofia e eu. Fiz amor com Sofia. E ela queria. E porquê quis. Então fiz. Poesia. Com Sofia. Mas a Filosofia era o que eu queria. Mas Sofia nem sabia. O que era Poesia. E eu nem sabia. Quem era Sofia.
11/09/2017

domingo, setembro 10, 2017

Escritores no Cinema

Nos filmes de Hollywood, sempre que aparece a personagem de um escritor, este quase sempre é invejado, quase sempre vive numa cabana isolada, quase sempre ainda usa uma máquina de escrever, quase sempre tem problemas de relacionamento, quase sempre é detestado pelos vizinhos, mas amável com crianças e animais, quase sempre ganhou uma bela grana com livros de merda, quase sempre estão escrevendo a obra de suas vidas, quase sempre acabam conseguindo. Então pergunto: a realidade americana de literatura é melhor, muito melhor que a terra brasilis, ou quase sempre eles são mentirosos? Sempre? Ou quase sempre?
O que pensam, meus amigos escritores de Facebook? Ou melhor: o que pensam, meus amigos de Facebook que são escritores?