Barata Cichetto: Poeta, Escritor, Webdesigner, Editor
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quinta-feira, julho 13, 2017

Em Memória de Ismênia


A Morte tem feito seu papel, carregando nas suas costas largas, indistintamente a todos. Não cede a apelos, não tem religião, ideologia, crença, preferência, preconceito. Etc. Falar assim é piegas, tolo. Mas a morte é tola e piegas. Simples, simplista, minimalista. Individualista. Egoísta. Ditadora. Traiçoeira. Incidental. Simples. Justa. Extremamente justa. Clara. Extremamente clara. Por horas, caímos na tentação de considerá-la injusta, cruel. E na velocidade da era moderna, a cada dia mais deixamos de senti-la, mas não ela, que continua por ai, mais e mais presente, mesmo contra a vontade de poetas e de ditadores. De fato, na atual era, moderna, tecnológica, avançada, veloz, em que pensamos muito e sentimos pouco, sua devida importância foi relegada a colocarmos fitas pretas de luto em rede social e esquecermos-nos daqueles que Ela levou, poucos dias depois. Não há memória suficiente em nossos cérebros para caber saudades e luto real. Temos informação em tempo real, sexo em tempo real, dinheiro e poder em tempo real. Achamos todo esse tempo que desperdiçarmos com asneiras e tolices, como tempo real. E nos esquecemos do que é de fato real. Esquecemos-nos da Morte. Não temos tempo para a morte, mas Ela sempre terá tempo para nós. E a única coisa real é Ela. Que nos espreita, nos espia e fica de tocaia atrás de cada pensamento, depois de cada esquina, após cada página de livro. Mas pouco nos importa a morte, pois apesar de tudo que temos, não temos vida. Então, sem vida não há morte. Ou seria melhor dizer que sem morte não há vida.
Em memória de Ismênia, 13/07/2017, Barata Cichetto

Um comentário:

  1. Que coisa linda.... comovente, real,arrepiante! Vida e Morte! O mais importante antagonismo que temos...

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