Barata Cichetto: Poeta, Escritor, Webdesigner, Editor
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sábado, abril 08, 2017

Síndrome de Orson Welles

Síndrome de Orson Welles
Barata Cichetto
Foto: Marli Abduch
Quantas webrádios existem, apenas no Brasil? Decerto milhares e milhares. Só empresas fornecedoras de "streaming" são centenas. Portanto há de se pensar que o "negócio" é lucrativo, interessante. Ah, ledo engano e absoluto equívoco. A não ser para as empresas que fornecem o tal "streaming", que é o servidor para armazenar musicas e programas. Mas, como um "mercado", para funcionar tem que ser lucrativo a todos os envolvidos, por que há tantas web rádios operando no vermelho? Aliás, a imensa maioria, e arrisco um numero aí por volta de 98%, sem medo de errar, de "empresas" de webradio que tem apenas custos, e nenhum lucro. Então, qual é o motivo, razão ou circunstância que explica a existência de tantas webradio deficitárias?

A resposta não "está soprando com o vento", mas aí, na cara de quem quiser enxergar: quase todas as rádios web são calcadas na vaidade dos seus "donos". Quase todos "têm" uma webrádio para se sentirem donos de alguma coisa, o que já é absurdo. O sujeito pode ser dono do domínio Internet (o www), pode ser dono até de um pequeno estúdio, mas não é dono de fato de nada. Quase nenhuma tem estúdios, não há profissionais pagos, sendo que a rádio normalmente é operada na totalidade pelo "dono" e os eventuais programas são feitos por amigos do próprio. Isso é um problema? Algo a ser condenado? Claro que não. A questão primordial não é essa, mas sim a postura do administrador que, repito, é baseada na vaidade.

Conheço o mercado de webradios há praticamente dez anos. Aliás, bem mais, considerando o fato de que em 2001, conheci um sujeito chamado Paulo Rogério, que tinha uma rádio web transmitida de seus próprios computadores e precisava de um caminhão de recursos para funcionar. Ela lhe custava mesmo quase o preço de um caminhão para funcionar. Fiz o site dessa rádio e fiquei amigo do Paulo e sei de sua tristeza em não poder ter continuado. Tudo que tocava na Rock Geral era ripado dos vinis do cara.

Numa economia capitalista, mesmo com deturpações monstruosas geradas por entidades e políticos pseudo-comunistas, há que se alimentar o processo: um compra de outro, que compra de um terceiro e assim por diante. E todos, mais ou menos, ganham. Mais ou menos de acordo com vários fatores como empenho e qualidade. Mas com o "mercado" de webradios, ganha apenas a empresa que comercializa o "streaming". Certo, falei sobre isso antes, mas retomo o gancho, parágrafos depois, com o intuito de fazer a ligação e chamar a atenção para o que pode ser considerado lucro/ganho. Aos donos, sempre entre aspas, das webradios, parece que esse lucro se limita à massagem em seu sonho anormal de imaginar que um dia poderá ser um novo Chateaubriand, um novo Roberto Marinho, um novo Silvio Santos. Até aí, sem problemas, pois a economia de mercado vive mesmo de vender sonhos malucos, que o sonhador sabe que na maioria das vezes nunca vai ser concretizado, mas entra aí o fator vaidade. Esse, sim, o grande mote por trás desses "empreendimentos" falidos desde o nascedouro.

O que fazem esses sujeitos e sujeitas? Pagam pelo streaming, apanham seus milhares de musicas em mp3, que na maioria das vezes eles nunca escutara e mandam tudo isso para o servidor da "radio". Um vitrolão interminável e chato. Bolas, como um ser desses espera ter audiência, pessoas interessadas? Há opções bem mais atraentes, como ouvir seus próprios mp3, abrir o Youtube ou Soundcloud. Ali, o ser poderá escutar o que quer, na hora que quer. E esse parece ser o fator preponderante hoje, quando a ditadura da igualdade, que aniquilou os formadores de opinião e matou todas as lideranças, falsas ou não, criando a falsa ideia de que todos são feitos do mesmo ideal, é a tônica.

Acontece que de fato, o ser humano, por sua natureza animal, carece do bando, e todo bando carece de líder, de guias, parece perdido numa infinidade de opções e acaba agindo não de acordo com o líder natural, aquele que tem força, capacidade e inteligência para liderar, mas ao mais "esperto", aquele que, por ser fraco e inútil, busca convencer que todos o são, para que sua fraqueza não desponte.  E é esse o fenômeno que explica também os motivos por trás das webradios.

Com raras e exceções que sempre existem em detrimento da regra, não há por porte de donos de webradios uma real construção de uma webradio com um padrão de programação. Nem há uma programação, de fato, aliás.  E a coisa fundamental: não há um perfil, não há uma identificação, e na maioria das vezes, sequer uma segmentação. Enfim, as webradios não são um produto, não tem objetivos nem missão. São ocas, vazias e atendem apenas, como já coloquei, à vaidade dos "donos".

Cresci escutando rádio, desde o tempo em que ainda funcionava com válvulas. Passei pelo de pilhas, até chegar à era da rádio web. O rádio mudou de formato, então, se mesclou com a internet, com a TV e se tornou outra coisa. Aliás, a própria Internet se tornou uma espécie de monstrengo híbrido de várias mídias. Algo que ainda vai ser explicado. Desde 2008 atuo diretamente em webradios, produzindo e apresentando programas.  Em 2011 criei a KFK Webradio, que por falta de condição financeira ficou paralisada até 2017. Passei por outras quatro rádios, sendo que uma delas, a Reversa, fui o responsável pelo nome e implantação. Creio, portanto, ter um pouco de embasamento para discorrer sobre o assunto. Dessas, a maior parte dos "donos" acreditavam em ser grandes empresários do ramo de comunição, Orson Welles, Rupert Murdoch... Pensam. Ou que, a exemplo dos malucos de "The Boat That Rocked", estariam fazendo uma revolução cultural. Nem uma coisa, nem outra, senhores! Não existem empresários em webradios, e nenhuma revolução será feita por ela, essa é a realidade nua e cruel.

Conheço e conheci inúmeros desses "donos" de webradio, e infelizmente a maioria com posturas egocêntricas, supervalorizando o subproduto que tinham. Postura de megaempresários com um produto de fundo de quintal, tratado sem um cuidado profissional, sem seriedade, sem postura. Claro que há muito que levam seus projetos a sério, mas parece-me que esses estão relegados às webradios ligadas a segmentos, dedicados a um artista ou tema específicos. Nas rádios de Rock, não há, na imensa maioria, seriedade.

Ao longo do tempo, essa falta de seriedade causou um trauma e, pior, uma falta de confiança por partes de eventuais anunciantes. Comentários do tipo "webrádio é coisa de desocupado", "ninguém anuncia em webrádio porque ninguém escuta webradio", e outros altamente pejorativos, mas que não deixam de ter um fundo de verdade. Em várias oportunidades tentei dizer às pessoas que se propunham a montar suas rádios: "por que, em lugar de montar sua própria rádio, não se une ao meu projeto?", mas isso, é claro, nunca foi aceito, em função, é claro, de uma doença que ainda não foi diagnosticada, e que ataca apenas donos de rádios web: Síndrome de Orson Welles.

E então, o que fazemos, todos nós, "donos" de webrádios, além de enriquecer empresas que vendem streaming? O que pretendemos, além de satisfazer nossos egos inflados, nossos sonhos megalomaníacos sobre fama? Qual é a missão daquilo que muitos de nós chamamos de "empresa" ou "investimento", e outros de "brincadeira" ou "divertimento"? Ficaremos sempre nesse patamar?

Bem, posso falar por mim, por minha rádio e pelos meus objetivos e missão. E estão todas essas intenções expressas nos "slogans" que criei para a KFK Webradio, ainda em 2011: "A rádio que toca ideias" e "Interrogações, mutações, metamorfoses e um pouco de musica sem rótulos".  Na KFK Webradio a musica, sempre dentro do universo do Rock, é a moldura, não o principal. A programação diária, repleta de programetes sobre poesia, literatura em geral, filosofia, pensamento livre, episódios em áudio de desenhos animados e "cenas" de cinema, além daquilo que é a verdadeira alma da webradio: trechos históricos do rádio brasileiro e mundial.

Já a programação feita por pessoas capacitadas, algumas com longo histórico dentro do rádio tradicional, como é o caso de Del Wendell e Sylvia Liger, e da webradio, como Agostinho Carvalho e Renato Pittas, é dividida com músicos e pensadores com enorme bagagem intelectual, como Amyr Cantusio Jr. e Rafael Pelissári; e artistas de outras áreas, como a professora da dança Cris Escudeiro. A programação especial, juntamente com os programetes somam mais de uma centena de horas semanais de programas feitos especialmente para a KFK Webradio, embora em alguns casos, ousamos em inéditas parcerias com outras webradios, como acontece com o Let's Play Elvis, de Del Wendell.

Resumindo, em resposta à minha própria pergunta, o projeto da KFK Webradio tem uma cara, e em suma é um produto de ótimo acabamento, basta apenas que os eventuais investidores entendam que há diferenças de produtos, como em qualquer segmento.

Luiz Carlos Giraçol Cichetto, AKA Barata
07/04/2017

quarta-feira, abril 05, 2017

O Dia Em Que Fui Assasinado

Um dia eu fui assassinado. Não, não foi bala perdida, carro desgovernado, facada de marido traído, pedrada em campo de futebol, estrangulamento por amante em ritual de sexo selvagem, paulada em ato político, bandeirada em passeata estudantil, garrafada em puteiro, empalamento por vingança de amante, decapitação por ato contra algum governo, crucificação por rebeldia contra alguma religião, envenamento por algum herdeiro na pressa por dinheiro, estiletada de algum travesti numa rua escura ou de um moleque querendo roubar minha carteira para comprar drogas. Não. Não foi nada disso. Mas fui assassinado. Fui morto, e não por overdose de nenhuma droga, superdose de nenhuma bebida, câncer no pulmão por causa de cigarro, indigestão por comer feijoada estragada. Não, não fui morto por nenhuma causa natural. Ou artificial. Mas fui, sim, assassinado. E o assassino não tem um rosto conhecido, nem é apenas um rosto na multidão.  Mas fui morto. Assassinado. E não foi a fome ou a sede. Não de comida, nem de bebiba. Não foi a falta de dinheiro, nem de aplausos. Não foi a falta de sexo, nem de tesão. Não, não foi. Mas fui assassinado. Morto. E o assassino, ou melhor, assassinos, continuam à solta por aí, com suas consciências leves e soltas, dormindo em seus travesseiros de espumas que não flutuam. Aliás, eu poderia fazer seu retrato falado. Falado, cantado e escrito, mas prefiro que seja identificado de outra forma: ficando em silêncio, esse mesmo silêncio assassino do qual fui vítima. Identifique-se!
01/04/2017

segunda-feira, março 27, 2017

Barata, Que Bicho é Esse?

Barata, Que Bicho é Esse?
Foto: Marli Abduch

Barata Cichetto é o nome artístico do paulistano Luiz Carlos Giraçol Cichetto, poeta, escritor, artista plástico, produtor e apresentador de webradio e editor artesanal.  O apelido kafkiano de "Barata", surgiu em função de um site cultural de grande prestigio criado em1997, e nos primeiros anos do século XX, se tornou uma referência dentro do mundo do Rock e da Poesia.

Filho de família pobre, de italianos, desde garoto, em função de sua extrema timidez, buscou nos livros a companhia às brincadeiras e jogos a que os garotos da época preferiam. Segundo palavras do próprio, a respeito de seu ano de nascimento: "nasci no mesmo Ano da Graça de Cazuza, Madonna, Bruce Dickinson, Tim Burton e Michael Jackson." E nos primeiros anos da década de 1970, era comum encontrá-lo nas salas das bibliotecas públicas, onde começou a ler os clássicos, como Machado de Assis e Aldous Huxley. Ou em casas de amigo escutando discos de Rock, já que dinheiro para comprar livros ou discos não existia.

Começou a trabalhar com 14 anos, como office-boy onde conheceu as ruas escuras do centro de São Paulo e toda a fauna louca que por elas perambulavam nas madrugadas, particularmente as prostitutas de rua, que foram suas primeiras musas inspiradoras. Foi nessa época que conheceu a musica e a poesia do americano Lou Reed, figura fundamental no desenvolvimento de sua poesia, com suas histórias a respeito dos mesmos personagens que habitavam o mundo do adolescente Luiz Carlos. A partir daí, para a poesia de Augusto dos Anjos, Rimbaud, Baudelaire e outros "poetas malditos" foi um salto pequeno.

Nos anos seguintes, teve inúmeras profissões, como bancário e escriturário e todo o tempo e dinheiro livres eram gasto com livros, revistas e nos prostíbulos mais decadentes da região conhecida como Boca do Lixo, onde se concentravam também os estúdios de produtoras de filmes eróticos.

Em 1981, com ajuda de um casal de amigos, lançou seu primeiro livro, mimeografado, com o título de "Arquiloco", em homenagem ao poeta e soldado grego Arquíloco de Paros. O pequeno volume, assinado como "Carlos Cichetto", mereceu a atenção do critico literário do jornal Diário Popular Henrique Novak, um dos mais conceituados na época.

No ano seguinte conheceu sua primeira esposa como que se casou e teve dois filhos. Nesse período, para dedicar-se integralmente à criação dos filhos, deixou de lado a escrita, que só foi retomada por volta de 1996. A partir daí, como que procurando resgatar o "tempo perdido", sua produção passou a cada dia ser mais intensa e num ritmo cada vez mais frenético. E como qualquer expressão da natureza, tudo que é represado, um dia estoura e causa enchentes e tudo que existe em seu caminho é derrubado, carregado.

Durante o tempo em que esteve casado, trabalhou em inúmeras atividades profissionais, indo de desenhista mecânico a projetista de brinquedos e embalagens, até virar dono de uma escola de informática, nos últimos anos do século passado. Em 1999, mudou-se a trabalho para Belém, PA, onde permaneceu durante um ano. Essa passagem segundo ele teve efeitos determinantes de enorme peso, pois foi ali que tomou contato com uma cultura muito forte, cheia de contrastes, daquela cidade ao norte do país. Ali nasceu o apelido "Barata". E ali renascia o provocativo, irrequieto e determinado artista Barata Cichetto.

Em 2000 retornou a São Paulo, onde o já muito conhecido web site A Barata, foi motivo de reportagem e entrevista para o programa Vitrine da TV Cultura. A partir daí Barata começou a produzir eventos que envolviam as suas duas maiores paixões: Rock e Poesia. Foram dezenas, em casas muito conhecidas do publico roqueiro de São Paulo, como Led Slay, Fofinho e outras. A produção intelectual cresceu absurdamente, incluindo com a criação de revistas impressas e Xerox.

Em 2001 começou a trabalhar como "Manager" da histórica banda Patrulha do Espaço, onde foi responsável entre outras coisas pela produção artística de um CD da banda, o EP".ComPacto".  Ali, Barata conheceu todos os meandros e muitas histórias dos bastidores de uma banda de Rock, que culminou com seu livro mais vendido até agora: "Patrulha do Espaço no Planeta Rock", lançado em 2012.

Em 2004, depois de 22 anos, chega ao fim de seu primeiro casamento e nos anos seguintes, até 2010, passa por outros dois relacionamentos conturbados, mas que lhe rendeu material para centenas de seus poemas, que passaram por todos os sentimentos inerentes às relações de casais: da doçura à loucura; do prazer à dor. No final de 2009, conheceu sua atual companheira, Izabel, com quem se casou oficialmente em 2016, incorporando mais um sobrenome.

Em 2010, Barata escreveu o libreto e criou toda a concepção de uma Opera Rock: "Vitória, ou a Filha de Adão e Eva". Esse fato foi crucial em toda produção futura do artista, pois em função dela conheceu um dos maiores músicos do Brasil, de formação erudita e um dos maiores estandarte do Rock Progressivo no Brasil, Amyr Cantusio Jr., com quem faria outros dois trabalhos: o disco conceitual "Seren Goch: 2332" em 2013, e "Madame X - À Sombra de Uma Morta Viva", em 2015. 

A edição do libreto dessa Opera Rock, ensejou ao irrequieto artista, que buscava uma forma de publicar seus escritos, sem nenhuma porta de editora aberta, a criação de um de seus maiores desafios: a "Editor'A Barata Artesanal", criada no referido ano. A partir daí, a "editora", que embora use tal nome, se trata de fato de um trabalho de edição artesanal de livros, trabalhando com qualquer tiragem, passou a aceitar encomendas de outros escritores, tendo lançado até agora, em 2017, mais de oitenta títulos, incluindo 25 do próprio autor--editor, que se considera, de fato, um "artesão de livros".  Dentre esses títulos, o destaque fica para livros sobre filosofia e ocultismo do parceiro Amyr e livros sobre o mundo da Beatlemania, escritos em italiano pelo musico milanês Alex Schiavi, de Milão. Todo o trabalho, da editoração a montagem final do livro - costura e colagem manuais, é feito inteiramente pelas mãos hábeis do editor-poeta, ou poeta-editor, concedendo a cada exemplar do livro, um quê de personalização impossível de ser conseguido em qualquer esquema tradicional de editoras.

A produção literária de Barata Cichetto inclui 13 livros de poesia e 12 de contos, crônicas, ensaios e até uma auto-ficção chamada "Barata: 40 Anos de Sexo, Poesia e Rock'n'Roll". Todos esses livros, com exceção de um "Cohena Vive", que foi lançado pela Editora Multifoco, do Rio de Janeiro, foram lançados pela sua Editora. Seu penúltimo livro de poesia, "Troco Poesia Por Dinamite", tem o prefácio do cofundador d banda Titãs, Ciro Pessoa.

Em 2008, outra habilidade do polivalente artista desponta, com um convite para produzir e apresentar programas em uma webradio. O rádio sempre fez parte de seu cotidiano, e era um antigo sonho, propiciado com a era da Internet, que simplificara e abria oportunidades a pessoas de fora dos meios tradicionais do esquema das grandes rádios. Desde então, Barata passou por várias webradios, sendo que entre 2011 e 2012, criou um projeto próprio com o intuito de fazer algo diferente do esquema, que seguia os antigos padrões das rádios "tradicionais". Nascia assim a "KFK Webrádio, com o "slogan" "a rádio que toca idéias". Por falta de apoio financeiro, a webradio foi extinta, mas retorna agora no inicio de 2017, com seu projeto inicial preservado, mas contando com novas tecnologias e ideias reformatadas e outras criadas.

No final do ano de 2016, incentivado pela artista plástica gaúcha Nua Estrela, Barata começa a produzir pinturas, algo que sempre achou impossível de realizar. Em três meses, Barata pinta mais de 80 quadros, tendo como temas principais, mais uma vez o seu trinômio vital: Sexo, Poesia e Rock'n'Roll. Suas pinturas chamam a atenção não apenas pelos materiais usados, como tinta látex de parede sobre papelão, mas pelos temas polêmicos.

Aos cinquenta e oito anos de idade, Barata Cichetto mantém um olhar crítico apurado sobre a sociedade moderna, buscando transmitir em suas diversas formas de arte, toda sua perplexidade diante de um mundo que chega cada dia mais perto do abismo fatal, segundo ele. É um livre pensador, que tendo passado por inúmeras correntes políticas, atualmente se define como um "conservador liberal".  Acredita que a chamada "arte social" é uma falácia, pois é a arte, segundo ele, "algo feito do individuo para o individuo", e que "essa coisa de arte coletiva é uma absoluta mentira, uma farsa pregada pela onda politicamente correta que é alimentada pelo pensamento esquerdóide para enfraquecer o verdadeiro poder da arte, que é o único de fato revolucionário."

Sobre o poeta Barata Cichetto, Amyr Cantúsio Jr. - Músico, Teósofo, Compositor, Filósofo, de Campinas, SP diz: "Posso enfatizar que Cichetto é o Dante, Milton, Boca do Inferno e Blake resumido da literatura nacional!". Já o Professor-Doutor em Arte de Goiás e artista multimídia Edgar Franco afirma: "Barata Cichetto é um poeta visceral, com uma peculiar e louvável visão da vida e dos caminhos e descaminhos de nossa espécie, belamente radical diante do bundamolismo vigente e da ditadura do politicamente correto que inunda as mídias e a cultura...".  Smail Della, artista plástico: "Homens a frente do tempo, sempre vão existir. Raros, mas sempre existirão e eu tive sorte de nessa vida poder conhecer essa praticante da Arte... Incansável, persistente, guerreiro na estrada.". Mas é o trecho inicial do prefácio escrito pelo ex-titã Ciro Pessoa, o que demonstra quem é realmente o poeta Barata: "A sensação que tive ao terminar de ler 'Troco Poesia por Dinamite' foi a mesma que alguém deve ter após sobreviver a um intenso bombardeio. Ou a atravessar um extenso campo minado e conseguir chegar do outro lado razoavelmente intacto. Porque a poesia bélica de Barata Cichetto é semelhante a um míssil cortando a noite anestesiada e explodindo no centro do comodismo mental e comportamental que tão bem caracteriza este irritante e retrógado começo de século XXI."

Por fim, Barata é um assíduo usuário de mídias sociais, procurando retirar delas algum resquício de debate inteligente, e um veiculo eficaz para a transmissão de suas idéias e projetos artísticos. E dentre seus projetos para o ano de 2017, estão o lançamento de dois romances, um livro de aforismos e mais, quem sabe, algumas dezenas de pinturas. "O dia em que parar de criar, estarei morto, mesmo que vivo." Arremata.

17/02/2017

sábado, março 25, 2017

A Admirável Vida Real


Ontem fiquei sem Internet... Sai... Andar pelas ruas do bairro. Contemplar a realidade em carne e osso. Carnes e ossos me interessam. Mais as carnes que os ossos. Na primeira esquina, um par meninas com as bundinhas semi expostas em shorts minusculos tinham bebês no colo. Sem chance! Adiante, em frente a padaria, o carro importado prateado com a tampa do porta-malas aberto uma musica horrorosa, de uma dupla de sertanejas quase universitárias. Sem chance! Um pouco mais de caminhada... Duas quadras a frente, um par de moleques de bermuda no meio das canelas me pede uma "seda". Não tenho. Sem chance. Acendo meu cigarro e continuo, agora já com saudades da Internet. Outro par de garotas de minusculos shorts, junto com um par de moleques de bermudas no meio das canelas rebolam ao som de uma dupla de sertanejas analfabetas e fumam maconha. Sem chances. Sem chance. Sem chances. As bundinhas eram bem interessantes, mas eu não tinha "seda", e não suporto sertanejas universitárias. É melhor voltar pra casa e ver se a Internet já voltou.
20/03/2017

quinta-feira, março 23, 2017

Porque Eu Não Sou, Não Sou Eu

Perguntaram quem sou eu... Respondi: Não sou ninguém, apenas o que crio. Sou a Editor'A Barata Artesanal, sou a KFK Webradio, Rock In Poetry Fuck'n'Roll, Barata Sem Eira Nem Beira. Sou minhas criações, não um ser humano, fraco, desdentado e feio. Carcomido pelo tempo, entristecido e amaldiçoado pelo vento. Não sou poeta, nem escritor, sou a poesia que escrevo e as histórias que conto. Sou os livros que faço, os programas que apresento. Não me perguntem, portanto, quem sou eu, pois não sou ninguém que lhe interesse. Eu, que deixo de pagar contas em dia, que tenho nome sujo no cartório, dívidas com parentes e amigos, que cometo atos falhos e por horas cometo deslizes, sendo até preconceituoso. Não me perguntem quem sou eu, fingindo um interesse que não tem; não perguntem quem eu sou, para fingir que se importam; não se importe em fingir interesse. Eu não me importo com sua indiferença. Pague minhas contas, beba comigo, deite-se comigo e me faça gemer de prazer, e aí sim, eu te te responderei quem sou eu. Aliás, eu não precisarei responder. Mas nunca mais pergunte quem eu sou, ou quem sou eu. Porque eu não sou, não sou eu...

Barata Cichetto, 22/03/2017

segunda-feira, março 20, 2017

Brincadeiras

Brincadeiras
Barata Cichetto

Sempre gostei de brincar. De ser alguma coisa. Na infância eu era astronauta, num pé de ameixas. Depois fui herói do espaço, voando num pedaço velho de madeira. E depois fui um Casanova, trepando numa puta da Boca do Lixo. Sim, sempre gostei de brincar de ser. De ser alguma coisa. E então fui um musico, cantor de Rock, balançado os enormes cabelos e cantando empunhando uma escova de cabelos. Fui também poeta e marinheiro, empunhando uma máquina de escrever. Eu queria ser alguma coisa. Brincava de ser alguma coisa. Quando homem, depois de ser poeta, marinheiro, astronauta e herói do espaço, fui facilmente pai, empunhando uma sabedoria que acreditei ser plena e real. Mas era essa minha sabedoria tão imaginária feito à nave espacial feita de pé de ameixa. E eu continuava querendo brincar de ser. E queria ser mais, queria ser perfeito. Perfeito pai, perfeito marido, perfeito funcionário de uma empresa de brinquedos, perfeito homem, perfeito poeta. Mas era tudo tão imaginário quanto um pé de ameixas, era tudo tão inútil quanto um pedaço velho de madeira, tudo tão sem prazer quanto uma puta da Boca do Lixo, e tão bobo feito uma escova de cabelos. Mas eu ainda queria brincar. De ser alguma coisa. E o tempo, rei das brincadeiras e das perversões passou. E agora, quando não tenho mais imaginação e inocência suficientes para construir espaçonaves, palcos, lares e prazeres, ainda quero brincar. De ser. Mas como brincar de ser, quando o estar conforta? Como brincar de ser, quando o não-ser é o que resta? Como brincar de ser, quando lhe cortaram os pés de ameixa, mataram as putas, e lhe caíram os cabelos e dentes? Como brincar de ser, quando qualquer brincadeira deixou de ser brincadeira e se tornou tortura? Como ainda brincar de ser, quando aqueles com quem ensinou a brincar, agora lhe escondem os brinquedos e os rostos? Renegam-lhe, lhe negam e zombam da sua... Brincadeira de ser...

20/03/2017

terça-feira, março 14, 2017

Fui Por Ter Sido, E Fui Por Ter Ido!.



Eu, conscientemente, me recuso a existir em um mundo onde a vaidade está acima da poesia; onde a política está acima da amizade; e onde o dinheiro acima de tudo. Me recuso a viver, triste, solitário e cabisbaixo, pela incompreensão de meus pares; e principalmente me recuso a viver em um mundo onde as rédeas do poder, onde a corrupção moral estabelecida corrompeu as mentes mais brilhantes. Onde artistas se prestam ao papel de títeres de um sistema composto de ladrões da dignidade. Eu, que de tudo fiz, e de muito ainda faria, me recuso a continuar a existir, num mundo onde o "fazer" pouco importa; onde o "ser" nada é; e onde o pensar diferente da marginália comprada por esmolas bate palmas. Eu, que de muito fui transformado em nada, por obra e graça do desrespeito e da covardia. Eu, no limite da minha consciência, me declaro incapaz de ser... Humano. Recuso-me a existir a perceber a malícia, ao receber o desprezo. A tragédia final se aproxima, e o sangue derramado não será dos falsos líderes que os inflama contra aqueles que ousam, como eu, se oporem aos seus desmandos. Não estou de lado algum nesta guerra, não a declarei e não engraxei minhas botas para ir ao front. Fiquem, pois, com suas bandeiras rubras, suas foices, seus martelos e suas cruzes. Quando, um dia, enfim, dos olhos caírem às vendas negras que os colocam na mais pura cegueira perceberá o quanto estavam errados. E, quanto a mim, recuso-me, sim, a fazer qualquer outra coisa a não ser. o Nada. Tudo cansa, tudo farta, tudo um dia enoja. E para que eu não sinta nojo de mais ninguém, decido pela morte insepulta. Não aceito nem peço perdão, porque os sonhadores tolos feito não o fazem. Não peço nada, não quero nada e não sou, de fato e decerto, nada. Recuso-me a continuar, recuso-me a caminhar sequer. Fiquem com suas esmolas do estado, seu protagonismo de mentira alimentado por mídias forjadas que lhes ditam o pensamento. Não, seu pensamento não é seu, sua decisão política não é sua. Mentiram-lhe sobre isso, mentiram-lhe sobre tudo. Sobretudo sobre a liberdade. Ela não existe. A liberdade só existe ao indivíduo, não é um bem coletivo, não pode ser dado por nenhum movimento, governo ou general. Ela só existe dentro de cada um. E, por fim, eu, indivíduo, ser único, absoluto de minhas falácias, consciente de minhas descrenças, simplesmente desisto. E, como sempre termino meus programas de rádio que ninguém escuta: FUI. Fui por ter sido, e fui por ter ido!.
Barata Cichetto, 14 de Março de 2017.

segunda-feira, março 13, 2017

Porque Eu Não Saio Mais de Casa

Porque Eu Não Saio Mais de Casa
Barata Cichetto

Ontem fiquei sem Internet... Sai.. Andar pelas ruas do bairro. Na primeira esquina, um par meninas com as bundinhas semi expostas em shorts minúsculos tinham bebês no colo. Sem chance! Adiante, em frente a padaria, o carro importado prateado com a tampa do porta-malas aberto uma musica horrorosa, de uma dupla de sertanejas quase universitárias. Sem chance! Um pouco de caminhada...Duas quadras a frente, um par de moleques de bermuda no meio das canelas me pede uma "seda". Não tenho. Sem chance. Acendo um cigarro e continuo, agora com saudades da Internet. Outro par de garotas de minúsculos shorts, junto com um par de moleques de bermudas no meio das canelas rebolam ao som de uma dupla de sertanejas analfabetas. Sem chances. Sem chance. Sem chances. As bundinhas eram bem interessantes, mas eu não tinha "seda", e não suporto sertanejas universitárias. É melhor voltar pra casa e procurar algo interessante pra comer.

segunda-feira, março 06, 2017

O Pior Escritor do Mundo

O Pior Escritor do Mundo
Barata Cichetto

Não, eu não sou o melhor escritor do mundo, nem do meu bairro, nem da minha cidade. Há piores, no entanto. Não, eu não sou o melhor escritor da Internet, do Facebook ou do Twitter. Há piores, no entanto. Não, eu não sou o melhor escritor de todos os tempos, nem sequer o melhor da semana, ou mesmo deste minuto. Mas, no entanto, há piores. Não, eu não sou o melhor escritor que qualquer pessoa tenha lido, nem que qualquer pessoa nunca tenha lido, nem das que nunca leram. Há piores, com certeza. Não, eu não sou sequer o melhor escritor da minha familia, da minha casa... Ou de mim mesmo. Há melhores, no entanto.

20/02/2017

segunda-feira, fevereiro 20, 2017

Carta a Um Editor

Prezado Editor:
Não, eu não morei nem moro na rua; nunca morei em favela ou comunidade; nunca me entupi de droga; nunca fiz programa, nem fui cafetão; nunca roubei, nem matei; nunca fui preso, nunca entrei em coma alcoólico; não sou negro, não sou transgênero, travesti, nem homossexual; não sou indígena, alienígena, nem feminista; não sou comunista, nem empresário; não sou rico, nem miserável; não sou idoso, nem sou deficiente físico; não sou corintiano, nem maloqueiro, nem sofredor; não sou petista, nem tucano; não sou youtuber, nem ex-garoto de programa; nem tenho bela bunda, nem peitos siliconados; não sofro de nenhuma doença mental séria, não tenho olhos claros, nem cabelos loiros; não sou amigo do rei, nem inimigo. Não sou pichador, nem participo de nenhum movimento social, nem invado propriedade alheia; Não arrumo desculpas para os meus fracassos.
 
Não sou, enfim, nada que possas usar como produto. E nem sou vaidoso a ponto de achar que ter um livro publicado pela sua editora - de preferência prefaciado por algum descolado diretor de teatro/ator/escritor que anda de uniforme camuflado e tênis sem meia na rua, e que finge que é pobre, mas é regiamente pago -, fará de mim algo que não sou.

Ah, sim, esqueci de dizer: sou escritor, mas isso pouco lhe interessa.

Atenciosamente,
Luiz Carlos Giraçol Cichetto, nome literário Barata Cichetto, São Paulo, 01/02/2017